MEMENTO, exposição individual
Em exibição de 6 de Novembro a 5 de Dezembro de 2021,
na Associação Cultural Ars Longa Vita Brevis,
na cidade do Porto, Portugal.


Fotografia analógica é o regresso ao processo fotográfico primitivo, é a imagem latente, é a aleatoriedade, a surpresa… o palpável e sensorial.

A Inês eleva este conceito para outro patamar, através de um processo fotográfico completamente artesanal e puramente pessoal, desde o momento de captação das imagens, passando pela manipulação minuciosa e premeditada dos negativos, até à ampliação do fotografia final.

Este processo integral e intenso culmina numa obra coerente, experimental e única, representando uma mímica fragmentada da realidade (ou várias) através de uma lente tingida pelo onírico.


Texto por Luís Duarte


 

Em Memento abre-se um álbum de impressões que abordam o lugar, a tradição, a natureza e a sociedade através da fluidez e confusão próprias da memória e da condição humana.
A imagem discursa pausadamente no Tempo “que já não é forma, mas intensidade” (Barthes, 1980)1, onde se tenta reorganizar o caos do real através do auxilio dos seus artefactos, da memória coletiva e individual, e do sonho.
O artefacto (o negativo) é visto no mesmo plano do pensamento enquanto recordação - “é também uma marca, um rasto directo do real, como uma pegada ou uma máscara mortuária” (Sontag, 1977)2.
Nestes caminhos percorridos, mergulha-se numa tempestade de ideias, rostos, formas, sentimentos, experiências e texturas frenéticas que comunicam num vai-e-vem de oposições e semelhanças, ironias e verdades sobre um mundo hiper-real surrealista.
Esta coleção de estudos “alterna com o desejo de regressar ao passado mais puro e mais artesanal” - fugindo da atual cultura saturada por imagens descartáveis -, “quando as imagens ainda tinham uma qualidade manual, uma aura” (Sontag, 1977)3: o
Homem tem um papel cada vez mais rápido e mediático na sua sociedade, sendo ele próprio espelho do aparatus tecnico que o regista.
Tal como o arqueólogo escava compulsivamente à procura de vestígios de um mundo perdido, também nós escavamos à procura de uma imagem que mimetize a experiência do passado.

1. Barthes, R. (2010, p. 107). A Câmara Clara (M. Torres, Trad.). 1ª edição, Edições 70. Lisboa. (Obra original publicada
em 1980)
2. Sontag, S. (2012, p. 150). Ensaios sobre Fotografia (J. Torres, Trad.) 1ª edição, Quetzal Editores. Lisboa. (Obra original
publicada em 1977)
3. Sontag, S. (2012, p. 124). Ensaios sobre Fotografia (J. Torres, Trad.) 1ª edição, Quetzal Editores. Lisboa. (Obra original
publicada em 1977)



COM O APOIO DE
Associação Cultural Ars Longa Vita Brevis
Laboratório Sais de Prata

Serralharia Artística D. J. M. Mendes


AGRADECIMENTOS
Francisco Pereira, Mariana Oliveira, Luís Duarte, Filipa Tojal, Maria Silva, Tiago Madaleno, Carlos Freitas, Ricardo Figueiredo

Créditos fotográficos: Joana Pina, Inês Oliveira, Maria Silva